sábado, 24 de novembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Meu passeio foi bem gostoso....




Oi, Rio Branco




A Cora me avisou, pelo telefone: você vai adorar o Acre!
Eu sou meio cética, achei que era exagero da Corinha, que tem uma queda por bicho, floresta, essas coisas. E que, além do mais, veio para cá com uma anfitriã especial, a Glória Perez, que deve ter mostrado para ela só os lugares mais bonitinhos...
Mas não é que Rio Branco é mesmo muito bacana? Acordei tarde, e dei uma passeada solitária pelo centro. Tudo limpinho, cuidado, arrumado. Gente com boa cara, fisionomias desestressadas, nenhum sinal de pobreza extrema. Muitos garis na rua, varrendo, e pessoal de manutenção, fechando buracos nas ruas, pintando placas...
O almoço foi num restaurante perto do nosso hotel, chamado Bistrô d`Amazônia. Comida deliciosa, variada, feita com um capricho raro de se ver. Comi alcatra com pimenta rosa, salada com manga, uma farofa dos deuses, bolinho de peixe super gostoso... No almoço, a companhia da Rosana, do SESC e de três professores de música daqui, o André, a Ana e o Damián (na foto).
Depois do Almoço, fomos dar um passeio maior pela cidade, de carro. Vimos o mercado (show!!!!), a Fundação Municipal de Cultura (no meio de um seringal ativo!), e a Fundação Estadual de Cultura, num prédio muito amplo e bem estruturado.
As ruas, bem calçadas, sem lixo, sem bagunça. As casas todas pintadinhas, de cores vivas e alegres. Nos muros, desenhos feitos com caquinhos de azulejo.
Outro bom governo? Pois! Milagres acontecem, mesmo. O pior é que a gente pisa na cidade, olha para o chão e já sabe se o governo é bom ou corrupto. A diferença aparece de cara, em todos os detalhes, até no jeitão do povo.
Nunca pensei que eu teria inveja do pessoal de Rio Branco!

Tchau Vitória...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O pessoal do SESC com o Re-Toques


Beatriz, Lídia e Paulo, do SESC, posam conosco para as lentes do Argeu....

Vitória tem muitas igrejas lindas



Estive em Vitória há 21 anos, como membro de banca de júri de um concurso para jovens instrumentistas, em que o vencedor foi o flautista Fernando Brandão, que já era naquela época um músico brilhante. Minhas memórias da estadia são excelentes. Ficamos num hotel ótimo (do SENAC, se não me engano) e fiz aqui amigos queridos, entre os quais Paulo Fortes e Mariuccia Iacovino, também membros da banca. Mas Vitória, como cidade, não me impressionou, naquela ocasião. Parecia caótica e abandonada, uma cidade que reunia os problemas de uma metrópole e os de uma cidade pequena e sem perspectivas.
Desta vez, tive uma surpresa agradável. Ao contrário da maioria das cidades do país, Vitória floresceu, melhorou, criou uma personalidade. Cresceu sem esmagar seus habitantes. Na verdade, os maiores problemas que nós vimos são devidos... a obras de melhoria, que temporariamente engarrafam o trânsito e criam alguns transtornos visuais (a orla está sendo refeita, duas pontes estão semi-interditas, uma nova ponte está sendo construída). Os restaurantes, limpos e cheios de gente, prosperam. As lojas tem uma moda bonita, bem exposta nas vitrines. Os prédios novos são luxuosos, denotando um nível de vida bem alto.
Mérito, me dizem os daqui, de "16 anos de bons governos". Nosso motorista confirmou: "Temos muita sorte com nossos políticos". Sabe quando foi a última vez que ouvi algo de semelhante, a respeito de uma cidade brasileira?
Nunca!
Mas aí a gente percebe o que poderia ser o nosso país, se tivesse, ele também, a sorte que teve Vitória.

Para não fugir do padrão, tudo a respeito do nosso concerto foi muito bem planejado. Divulgação excelente, com matéria nos jornais, folhetinhos distribuídos, banner enorme na fachada do Teatro (vocês viram, nas fotos abaixo?). Motorista pontual e simpático, lanche generoso e saboroso, técnicos de cultura presentes e engajados. E soubemos que o SESC comprou um prédio gigantesco no centro da cidade, na frente mesmo do Teatro Carlos Gomes, que será transformado em mega-centro cultural. Vai ser um espetáculo! Tomara que nos chamem de novo para tocarmos na inauguração! ;)

Ah, e para aqueles que não aguentam mais o suspense: a gamba se portou muito bem, segurou a afinação e "cantou" direitinho! Obrigada pela torcida!

Nosso concerto foi no Teatro Carlos Gomes


Achei linda esta alegoria!




Nao dá vontade de entrar?




Olha lá o nosso cartaz!




Charmoso demais...



Fico só imaginando todos os eventos bonitos que já aconteceram aqui...



O teto é uma lindeza. Pena que estava escuro demais para sair na foto, mas pelo menos dá uma idéia....

Olha só quem eu encontrei!


A gente sente uma saudade danada dos amigos, numa tournée como a nossa. Daí que descobrir, por mero acaso, que minha amiga/filha Gabriela estava em Vitória para um congresso, foi demais! Mais incrível ainda: hospedada no mesmo hotel do que nós!!!!!!!

Da Igreja da Penha fomos almoçar


no Restaurante Atlântica, recomendado pelo Argeu, nosso formidável motorista/guia, que nos proporcionou o inesquecível tour pela cidade.
Pedimos uma Moqueca capixaba, claro! E como vocês podem imaginar pela foto, não tivemos motivo de arrependimento....

Para a Corinha!


Olha só o que tem por lá! E eles nem têm medo da gente....

A vista de lá é uma beleza



Na Igreja da penha



A capelinha do Solar



A gente foi visitar o Solar Monjardim, em Vitória



O Solar Monjardim é uma antiga casa de fazenda do século XVIII, transformada em Museu, com todos os cômodos mobiliados e arrumados como se a família ainda vivesse lá. É muito bonita em sua amplidão e simplicidade, com proporções harmoniosas e humanas. Só foi difícil de fotografar: flash lá é proibido! Então, por favor, perdoem o foco claudicante....




terça-feira, 20 de novembro de 2007

Últimas fotos de Manaus... afinal já estamos em Vitória!


Para a Renata, que perguntou


É feito por Alès Groupe
Laboratoires Phytosolba
99, rue du Fg Saint-Honoré, Paris

E eu lá resisto a um shampoo que
1- Vem em embalagem de vidro?
2- Na embalagem, não tem imagem de mulher bonita com cabelos voando ao vento?
3- Na lista de ingredientes, o primeiro é "Potentilla Erecta root extract"?
4- A metade dos outros ingedientes começa com Lauryl ou Laureth?

Ah, o shampoo é bom, mesmo!

Um belo concerto.. e um baita susto!



O concerto de Manaus foi na Universidade Estadual do Amazonas. Quando estávamos indo para lá, eu fiquei preocupada: parecia tão fora de mão! Quem iria lá nos assistir?
Os alunos de música, é claro. E músicos profissionais, também. Pela primeira vez tocamos para um público INTEIRAMENTE composto de colegas. Um público semelhante ao de São Leopoldo, da EST, mas um pouco mais velho e experiente. Alunos de música da universidade, muitos com seus instrumentos no colo, e vários músicos da Filarmônica daqui, incluindo duas cariocas, uma harpista e uma clarinetista! Foi uma delícia de concerto. Sabe quando você conta uma piada longa, e todo o mundo ri nos momentos certos? Pois foi assim.
Eles se comoveram com Dores, riram com Mundo Pequeno VI, prenderam a respiração em L`Eternité, acompanharam encantados as mudanças de caráter de Querência, cantaram baixinho o Peixe Vivo. No final, além das palmas de pé, gritavam, em conjunto ritmado: “mais um, mais dois, mais três”...Muito legal, mesmo! Muitos vieram experimentar a viola e a espineta, e uma menina até fez dueto com a Sula, tocando Asa Branca, numa versão inédita. Já pensaram, Luiz Gonzaga em espineta e violino?
Depois do concerto o Nilton (do SESC) e o Nélio (o motorista) foram jantar conosco no Ristorante Fiorentina. Apesar do nome italiano, pedi um prato local: moqueca de pirarucu, deliciosa, aliás!

De manhã, para compensar a euforia de um concerto perfeito, a gamba escorregou das mãos do Mário, e caiu no chão com um baque surdo. Que horror! O estandarte se quebrou, feio. Ainda bem que o Mário é um sujeito zen e imbuído de espírito prático. Ligou para o Nilton e o Ricardo, do SESC, que gentilmente o levaram para um luthier local, o Junior, que fez uma operação de emergência na pobre viola acidentada. Mário ainda não pode experimentar a viola (tínhamos que correr para o aeroporto) mas quando chegarmos a Vitória, nosso próximo destino, a gente conta se a paciente se recuperou inteiramente....

Sobre as cidades


Muitas cidades são abertamente bonitas, e se orgulham de sua beleza. Maringá, Santa Cruz, Pato Branco, são, cada qual a seu modo, lugares agradáveis de se viver, que se enfeitam (de árvores, de flores) para agradar aos olhos de quem passa, e em que os habitantes fazem questão de mostrar aos visitantes as maravilhas do lugar. Outras, coitadas, não têm maravilhas para mostrar.
Manaus (como o Rio, aliás) é daquelas cidades que já viram dias muito melhores, e parece que seus habitantes nem se lembram mais do passado de glória, ou pelo menos não ligam para ele. Os governantes, então, parecem ter vergonha de tudo de bonito que, contra tudo e contra todos, ainda resiste aqui e ali. Toda a beleza está nos detalhes, escondidos de quem passa, apressado, e que são ignorados por todos.. As praças (algumas com estátuas bonitas enegrecidas de sujeira, outras com algum pequeno coreto caindo aos pedaços, ou até um pavilhãozinho art-déco completamente abandonado) estão todas ao Deus dará. As ruas são sujinhas e apinhadas de gente. O pior é que, por conta da floresta amazônica, há muito turismo por aqui, e com um mínimo de inteligência o passado rico desta cidade poderia ser muito bem explorado.

No Teatro Amazonas